Gramática Improvável
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Gramática improvável do mirandês

Teste paramétrico da tua gramática interna em fluxo

Esta página funciona como um laboratório: apresentamos pares e trios de frases em mirandês (ou aproximadas) e pedimos que julgues aceitabilidade e beleza. No final, geramos um relatório com uma leitura acessível e outra em vocabulário gerativo, e o teu gesto passa a integrar a Gramática Improvável em processo.

Módulo 1 — Ordem das palavras (Head Parameter)

Aqui testamos como sentes a ordem básica de constituintes: se o núcleo (verbo, nome) tende a vir antes dos complementos, se há muitas inversões aceitáveis, ou se ordens mais marcadas também funcionam.

Grupo 1 — Sintagma nominal (artigo, nome, adjetivo)

H1A: La casa vieja ye grande.

H1B: Casa la vieja ye grande.

H1C: La vieja casa ye grande.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 2 — Ordem da frase (SVO e variações)

H2A: L’home canta na praça.

H2B: Na praça canta l’home.

H2C: Canta l’home na praça.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 3 — Ordem do verbo e adjuntos

H3A: La casa queda na montanha.

H3B: Na montanha queda la casa.

H3C: Montanha na queda la casa.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Módulo 2 — Sujeito nulo (Null Subject Parameter)

Testamos aqui se a tua gramática aceita frases finitas sem sujeito expresso, e em que medida isso te parece natural, condicionado ou pouco possível.

Grupo 4 — Presença/ausência de sujeito

N1A: Iou studi l mirandés cada nuite.

N1B: Studi l mirandés cada nuite.

N1C: Estuda iou l mirandés cada nuite.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Pergunta global sobre sujeito nulo

Na tua língua (como a sentes), é normal deixar o sujeito não dito, quando está claro pelo verbo?



Módulo 3 — Perguntas (wh-movement)

Aqui observamos se preferes perguntas com o “quê” na frente ou se aceitas o elemento interrogativo em posições internas à frase.

Grupo 5 — “O que estudas?”

W1A: Qué studi iou?

W1B: Iou studi qué?

W1C: Studi qué iou?

Dessas três perguntas, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 6 — “Qual é a tua língua?”

W2A: Qué ye la tua lengua?

W2B: La tua lengua ye qué?

W2C: Ye qué la tua lengua?

Dessas três perguntas, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Módulo 4 — Clíticos pronominais

Observamos a posição do pronome átono em frases afirmativas e negativas: proclise, ênclise e ordens marcadas.

Grupo 7 — Clítico em frase afirmativa

C1A: Dígo-te la verdad.

C1B: Te dígo la verdad.

C1C: La verdad dígo-te.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 8 — Clítico com negação

C2A: Nun te dígo la verdad.

C2B: Nun dígo-te la verdad.

C2C: Te nun dígo la verdad.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Módulo 5 — Negação

Testamos a tolerância à negativa simples, dupla (concordância negativa) e ordens marcadas do “nun”.

Grupo 9 — Negação e concordância negativa

N2A: Nun vi nada.

N2B: Nun vi nada nun.

N2C: Vi nada nun.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 10 — Negação com sujeito

N3A: Él nun vien de ayer.

N3B: Nun vien él de ayer.

N3C: Él vien nun de ayer.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Módulo 6 — Complementadores (“que”)

Testamos orações encaixadas com e sem “que” e estruturas com “que” deslocado.

Grupo 11 — Oração encaixada com/sem “que”

Q1A: Penso que él vien mañá.

Q1B: Penso él vien mañá.

Q1C: Que él vien mañá, penso.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Grupo 12 — “Que” e predicação

Q2A: Ye certo que él vien.

Q2B: Ye certo él vien.

Q2C: Que él vien ye certo.

Dessas três, qual achas mais bonita/expressiva (entre as possíveis)?

Módulo 7 — Concordância (Agreement Parameter)

A concordância sujeito–verbo e nome–adjetivo mostra como traços de número e género são distribuídos na tua gramática interna.

Grupo 7A — Concordância Sujeito–Verbo

A1: Los rapazes cantan alto.

A2: Los rapazes canta alto.

A3: Los rapazes cantan altos.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Grupo 7B — Concordância Nome–Adjetivo

B1: La casa vieja ye piquena.

B2: La casa vieja ye piqueno.

B3: La casa viejo ye piquena.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Módulo 8 — Tempo e Aspeto (Tense/Aspect)

Aqui olhamos como se distribuem formas simples e perifrásticas de passado e aspecto progressivo.

Grupo 8A — Pretérito Perfeito

T1: Iou ya comi.

T2: Iou ya he comido.

T3: He yo comido ya.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Grupo 8B — Aspeto Progressivo

T4: Iou stou leyendo l libro.

T5: Iou leyo agora l libro.

T6: Stou yo leyendo l libro.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Módulo 9 — Caso (Case / Pronominal Case)

Aqui olhamos para marcação de objeto direto e dativo, alternando entre clíticos, preposições e deslocamentos.

Grupo 9A — Caso Objeto Direto

C1_case: Vi los.

C2_case: Vi a eles.

C3_case: Los vi eu.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Grupo 9B — Dativo

C4_case: Di-li l libro.

C5_case: Di l libro a ella.

C6_case: A ella di-li l libro.

Entre as possíveis, qual achas mais bonita/expressiva?

Ao gerar o relatório, os teus julgamentos são inscritos anonimamente no corpo vivo da Gramática Improvável — o fluxo aqui já é inscrição.

Leitura acessível

Leitura técnica (modelo gerativo)

Gramática Improvável do Mirandês

A cada dia, os dados deste museu-processo são rebatidos em estados provisórios da gramática. Vê os relatórios, comentários e derivações no Substack.

Ver estados diários no Substack

Sobre a produção de dados neste museu-processo

As interações feitas nesta página participam efetivamente na construção dos estados diários da Gramática Improvável do Mirandês. Para além dessas inscrições humanas, o sistema também incorpora dados sintéticos e análises probabilísticas de uso da língua, derivados de corpora públicos, literatura linguística e modelização computacional.

O resultado é um modelo híbrido, onde cada gesto humano pesa, mas não é a totalidade da matéria. A gramática não é “reflexo da comunidade”, mas um organismo paramétrico em devir, alimentado por três fontes:

  • Interações humanas (julgamentos de aceitabilidade e escolhas estéticas),
  • Dados sintéticos (simulações linguísticas baseadas em padrões reais do mirandês),
  • Análise probabilística automática (modelização estatística e comportamental de estruturas da língua).

Cada relatório publicado no Substack reflete a tensão entre essas três forças. A gramática é, por definição, improvável, e o museu acompanha esse movimento.

Museu do Possível — NEGATIVO.mov · Gramática Improvável em fluxo paramétrico.